Argentina aprova redução da maioridade penal para 14 anos e reacende debate sobre justiça juvenil
Projeto aprovado pela Câmara avança para o Senado e divide opiniões sobre segurança pública, direitos da infância e responsabilidade criminal
A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, por 149 votos a 100, um projeto de lei que altera o sistema de justiça juvenil e reduz a idade mínima de responsabilização penal para 14 anos. A proposta segue agora para o Senado, onde será debatida em 26 de fevereiro antes de eventual sanção presidencial.
O presidente Javier Milei havia defendido inicialmente a redução para 13 anos, mas aceitou negociar a idade mínima em 14 para viabilizar a aprovação no Congresso.
A medida reacendeu um intenso debate nacional sobre segurança pública, direitos da infância e a forma mais eficaz de lidar com crimes cometidos por menores.

O que muda com a nova proposta
O projeto propõe mudanças estruturais no sistema de justiça juvenil do país, estabelecendo novas diretrizes para responsabilização criminal de adolescentes.
Principiais pontos do texto aprovado
✔ Redução da idade penal mínima para 14 anos
Adolescentes poderão responder criminalmente por determinados crimes.
✔ Prisão em regime fechado apenas para crimes graves
A medida se aplica principalmente a delitos como homicídio.
✔ Cumprimento de pena em unidades separadas
Adolescentes condenados não ficarão em presídios comuns com adultos.
✔ Reformulação do sistema juvenil
O projeto prevê mecanismos de responsabilização e reeducação. Caso em Santa Fé impulsionou o debate
Caso em Santa Fé impulsionou o debate
A discussão ganhou força após o assassinato de um adolescente por outros menores na província de Santa Fé. O caso gerou forte comoção pública e intensificou o debate sobre segurança e responsabilização juvenil.
O episódio aumentou a pressão popular por medidas mais rígidas, levando o tema ao centro das discussões políticas e legislativas.
Governo defende medida como combate à criminalidade
Em comunicado oficial, o Gabinete Presidencial informou que Javier Milei comemorou a aprovação do projeto e agradeceu aos deputados que votaram a favor da medida.
O governo classificou a iniciativa como um passo importante no combate à criminalidade e na modernização do sistema de justiça juvenil.
Autoridades afirmam que a proposta busca equilibrar responsabilização penal e medidas socioeducativas.
Argumentos a favor da redução da idade penal
Defensores da proposta sustentam que a mudança responde à realidade atual da criminalidade juvenil.
Entre os principais argumentos:
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aumento da participação de menores em crimes graves
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necessidade de responsabilização proporcional
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fortalecimento da segurança pública
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prevenção da reincidência
Para apoiadores, a medida representa uma resposta firme diante da violência.
Críticas e preocupações de especialistas
Por outro lado, organizações de direitos humanos e especialistas em infância expressam preocupações quanto aos impactos da medida.
Entre os principais pontos levantados:
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risco de criminalização precoce de adolescentes
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possíveis violações de direitos da criança
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necessidade de priorizar políticas sociais e educacionais
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dúvidas sobre eficácia na redução da violência
Especialistas defendem que a prevenção social e a inclusão juvenil são fundamentais para combater a criminalidade a longo prazo.
Tendência internacional e modelos comparados
A idade mínima de responsabilização penal varia entre países.
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Brasil: 18 anos (com medidas socioeducativas a partir dos 12)
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Chile: 14 anos
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Uruguai: 13 anos (com regime juvenil)
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Espanha: 14 anos
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Alemanha: 14 anos
O debate argentino reflete uma tendência global de revisão dos sistemas juvenis, buscando equilíbrio entre proteção e responsabilização.
O que acontece agora
O projeto segue para análise no Senado argentino, onde poderá sofrer alterações antes da votação final. Se aprovado, será encaminhado para sanção presidencial.
A decisão final poderá redefinir a forma como o país lida com crimes cometidos por adolescentes, marcando uma mudança histórica no sistema de justiça juvenil.
Segurança, justiça e direitos: um debate que divide a sociedade
A redução da idade penal na Argentina expõe um dilema enfrentado por diversas nações: como garantir segurança pública sem comprometer direitos fundamentais da infância e adolescência.
O resultado desse debate poderá influenciar políticas públicas, reformas legais e o futuro da justiça juvenil no país.









