Relembre os eventos astronômicos mais espetaculares de 2025
Eclipses, superluas, alinhamentos planetários, cometas raros e até um visitante interestelar marcaram um dos anos mais impressionantes da astronomia recente
Faltam poucos dias para o fim de 2025, um ano que ficará gravado na memória de astrônomos, entusiastas e curiosos do céu. Ao longo dos últimos 12 meses, o firmamento foi palco de fenômenos raros e visualmente deslumbrantes, muitos deles observáveis a olho nu em diversas partes do mundo. Superluas consecutivas, eclipses solares e lunares, alinhamentos planetários pouco comuns, cometas brilhantes e intensa atividade solar transformaram 2025 em um verdadeiro espetáculo cósmico.
A seguir, relembramos os principais eventos astronômicos que fizeram deste ano um dos mais fascinantes das últimas décadas.

Alinhamento planetário de fevereiro chamou atenção global

O primeiro grande destaque astronômico de 2025 ocorreu no fim de fevereiro, quando um raro alinhamento planetário pôde ser observado logo após o pôr do Sol. Na ocasião, sete planetas — Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno — apareceram distribuídos ao longo da mesma faixa do céu.
Os planetas mais brilhantes, como Vênus e Júpiter, foram facilmente identificados a olho nu, enquanto Marte se destacou pelo tom avermelhado característico. Mercúrio e Saturno surgiram próximos ao horizonte, exigindo céu limpo e pouca poluição luminosa para uma boa observação. Já Urano e Netuno, mais distantes e menos luminosos, só puderam ser vistos com o auxílio de telescópios.
Apesar do nome popular, os planetas não estavam realmente “enfileirados” no espaço. O alinhamento foi um efeito de perspectiva visto da Terra, resultado das posições orbitais dos planetas em relação ao nosso ponto de observação. Ainda assim, o fenômeno foi considerado um dos alinhamentos mais completos dos últimos anos e despertou grande interesse do público.
Superluas de 2025 ocorreram em sequência

Outro fenômeno que marcou o ano foi a sequência de três superluas. Esse evento ocorre quando a Lua Cheia coincide com o perigeu, o ponto de maior aproximação da Lua em relação à Terra, fazendo com que ela pareça maior e mais brilhante no céu.
A primeira superlua aconteceu em 8 de outubro, dando início à sequência. Embora alguns astrônomos tenham debatido se ela se enquadrava plenamente na definição técnica de superlua, o fenômeno ainda assim foi perceptível para muitos observadores.
Em novembro, ocorreu a superlua mais impressionante de 2025. A Lua atingiu a fase cheia com poucas horas de diferença em relação ao perigeu, tornando-se a maior e mais luminosa do ano. Fotografias do evento circularam o mundo, registrando o satélite natural em tamanho e brilho excepcionais.
A última superlua do ano aconteceu em dezembro. Mesmo um pouco menos próxima que a de novembro, ela manteve um brilho intenso e encerrou 2025 com um espetáculo visível em praticamente todo o planeta.
Essas variações no tamanho aparente da Lua acontecem porque sua órbita em torno da Terra é elíptica, e não perfeitamente circular. Assim, em determinados momentos ela está mais próxima (perigeu) e, em outros, mais distante (apogeu), influenciando diretamente sua aparência no céu.
Quatro eclipses marcaram o calendário astronômico

Os fãs de astronomia também foram presenteados com quatro eclipses em 2025: dois solares e dois lunares. Esses eventos ocorrem quando há um alinhamento preciso entre Sol, Terra e Lua, criando ocultações totais ou parciais.
O primeiro deles aconteceu em março, com um eclipse lunar total amplamente visível no Brasil. Durante o fenômeno, a Lua atravessou completamente a sombra da Terra e adquiriu tons avermelhados, popularmente conhecidos como “Lua de Sangue”. A coloração ocorre devido à dispersão da luz solar na atmosfera terrestre.
Duas semanas depois, um eclipse solar parcial pôde ser observado em outras regiões do planeta. Nesse caso, a Lua cobriu apenas parte do disco solar, criando o efeito visual de uma “mordida” no Sol. O evento, porém, não foi visível do território brasileiro.
No segundo semestre, setembro trouxe mais uma “dobradinha”. No dia 7, ocorreu um eclipse lunar total, visível integralmente em algumas regiões do mundo, mas não no Brasil. Quinze dias depois, um novo eclipse solar parcial foi observado principalmente em áreas remotas do planeta, encerrando o ciclo de eclipses do ano.
Cometas que se destacaram nos céus em 2025

O ano de 2025 também foi generoso na aparição de cometas, alguns deles visíveis com equipamentos simples e outros de grande relevância científica.
Em abril, o cometa C/2025 F2 (SWAN) ganhou destaque por sua cauda brilhante e trajetória relativamente próxima da Terra. Já em setembro, o cometa C/2025 A6 (Lemmon) chamou atenção ao se tornar visível do Brasil pela primeira vez em cerca de 1.300 anos, despertando grande comoção entre astrônomos amadores.
Outro visitante notável foi o C/2025 R2 (SWAN), que chegou a perder parte de sua cauda após ser atingido pelo vento solar, oferecendo aos cientistas uma oportunidade rara de estudar a interação entre cometas e a atividade solar.
Além deles, o “cometa dourado” C/2025 K1 (ATLAS) também marcou presença, encantando observadores com seu brilho característico.
Explosões solares e tempestades geomagnéticas intensas

A atividade solar foi outro ponto alto de 2025. Ao longo do ano, foram registradas 15 explosões solares da classe X, a mais forte da escala utilizada para classificar erupções solares.
A mais intensa ocorreu em 11 de novembro de 2025, quando uma explosão de classe X5.1 foi registrada a partir da região ativa AR4274. O evento liberou uma enorme quantidade de energia e radiação, causando apagões temporários de rádio em partes da África e da Europa.
Após a explosão, uma sequência de ejeções de massa coronal foi lançada em direção ao espaço, atingindo a Terra e provocando tempestades geomagnéticas. Essas tempestades intensificaram auroras boreais e austrais, visíveis em regiões onde o fenômeno normalmente não ocorre.
Apesar do potencial de impacto em satélites, sistemas de navegação e redes de comunicação, não houve registro de danos graves à infraestrutura ou riscos diretos à saúde humana.
3I/ATLAS: o visitante interestelar de 2025
Entre todos os eventos astronômicos do ano, um se destacou como o grande protagonista: o cometa interestelar 3I/ATLAS. Ele se tornou apenas o terceiro objeto conhecido a entrar no Sistema Solar vindo de fora, após ‘Oumuamua e 2I/Borisov.
Descoberto no meio de 2025, o 3I/ATLAS rapidamente virou manchete mundial. Sua origem fora do Sistema Solar despertou enorme interesse científico, já que esses objetos carregam informações valiosas sobre outros sistemas estelares.
Durante sua passagem relativamente próxima da Terra, o cometa foi acompanhado por telescópios do mundo inteiro. Além dos dados científicos coletados, o visitante interestelar também alimentou a imaginação popular, gerando debates, teorias e fascínio coletivo.
Um ano inesquecível para a astronomia
Com tantos fenômenos marcantes, 2025 se consolida como um dos anos mais espetaculares da astronomia recente. Para além da beleza visual, os eventos observados reforçaram a importância do monitoramento do céu e do clima espacial, especialmente em um mundo cada vez mais dependente de tecnologia.
Seja para cientistas, fotógrafos ou simples admiradores do céu, 2025 provou que basta olhar para cima para se surpreender com a grandiosidade do Universo.
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