Ciência e Tecnologia

Ratos também riem: o surpreendente animal que sente alegria ao receber cócegas

Estudos científicos mostram que ratos emitem “risadas” ultrassônicas, buscam brincadeiras e demonstram prazer de forma muito semelhante aos humanos

Pode parecer curioso, mas a ciência já comprovou: ratos também sabem se divertir. Pesquisas revelaram que esses pequenos roedores emitem sons característicos de alegria quando recebem cócegas, algo comparável ao riso humano. Mais do que simples reações instintivas, esses comportamentos indicam que os ratos experimentam prazer, antecipam brincadeiras e até “pedem” mais interação. A descoberta ajuda a mudar a forma como entendemos as emoções nos animais e amplia o debate sobre bem-estar e consciência animal.

O bichinho que dá risada quando ganha cócegas igual aos humanos

A descoberta das “risadas” ultrassônicas dos ratos

O bichinho que dá risada quando ganha cócegas igual aos humanos

Os cientistas identificaram que, ao receberem cócegas — especialmente na barriga e na região do pescoço —, os ratos emitem sons em uma frequência de cerca de 50 kHz. Esses sons são ultrassônicos, ou seja, estão acima da capacidade auditiva humana e só podem ser captados com equipamentos específicos.

Essas vocalizações não são aleatórias. Elas aparecem em contextos claros de interação positiva, como brincadeiras e carinho, funcionando como uma espécie de riso. Curiosamente, os mesmos sons também surgem quando os ratos brincam entre si, reforçando a ideia de que se trata de um sinal genuíno de diversão.

Ratos buscam brincadeira e carinho ativamente

Durante os experimentos, os pesquisadores perceberam algo ainda mais surpreendente: após as sessões de cócegas, os ratos passaram a correr atrás da mão do cientista, como se estivessem “pedindo” mais. Esse comportamento ativo demonstra que eles não apenas reagem ao estímulo, mas o procuram conscientemente.

Esse padrão é semelhante ao observado em animais conhecidos por comportamentos lúdicos, como cães e primatas. A busca pela interação indica que a brincadeira tem valor emocional e motivacional para os ratos, indo além de uma simples resposta física.

O que acontece no cérebro dos roedores durante a diversão

A pesquisa também analisou a atividade cerebral dos ratos enquanto eles recebiam carinho. O foco foi o córtex somatossensorial, região responsável por processar estímulos de toque. Os resultados mostraram intensa ativação neuronal durante as cócegas.

O mais interessante é que essas mesmas áreas do cérebro também se ativavam quando o rato apenas via a mão do pesquisador se aproximando. Isso indica que a antecipação do prazer faz parte do processo, um traço comum em experiências emocionais complexas, inclusive nos humanos.

Como os cientistas diferenciam alegria de estresse

O bichinho que dá risada quando ganha cócegas igual aos humanos

Para garantir que as vocalizações não fossem sinais de medo ou desconforto, os pesquisadores compararam diferentes situações. Microfones especiais captaram os sons emitidos em ambientes lúdicos e em contextos estressantes.

  • Em situações de brincadeira, os ratos apresentaram sons ultrassônicos agudos, acompanhados de saltos e movimentos rápidos.

  • Em ambientes estressantes, os sons eram raros ou mais graves, e o comportamento indicava fuga ou imobilidade.

Essa comparação confirmou que as “risadas” estão associadas a estados emocionais positivos.

O que essa descoberta muda na ciência

A constatação de que ratos sentem prazer e expressam alegria desafia antigas visões que limitavam emoções complexas a animais com cérebros maiores. Hoje, os cientistas entendem que a capacidade de brincar pode ser uma ferramenta evolutiva fundamental, presente em diversas espécies.

Além disso, a descoberta levanta debates éticos importantes sobre o uso de animais em laboratório, reforçando a necessidade de práticas que considerem não apenas a sobrevivência, mas também o bem-estar emocional dos animais.

Diversão como ferramenta evolutiva

A brincadeira não é apenas diversão: ela ajuda no desenvolvimento social, cognitivo e emocional. Em ratos, esse comportamento pode fortalecer vínculos sociais, reduzir estresse e contribuir para um desenvolvimento saudável.

Ao revelar que até pequenos roedores possuem mecanismos cerebrais ligados ao prazer e à alegria, a ciência amplia nossa compreensão sobre a vida emocional no reino animal — e nos convida a olhar esses seres com mais empatia.

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